"Esta dominância do geométrico permanece sem debate durante todo o século XIX. As primeiras críticas sobre o compêndio de Motta que tenho notícia dirigiram a um nicho limitado do currículo, as suas estampas ornamentais de gesso. Sobre elas, Joaquim de Vasconcelos (1879), primeiro historiador de arte português, dirá que eram de gosto antiquado. No entanto, a apreciação mais importante deste professor foi de carácter pedagógico. Vasconcelos, ao analisar os manuais de desenho em circulação em Portugal entre 1793-1874, no seu Reforma do Ensino de Belas-Artes (1878), chama a atenção para a falta de graduação das estampas apresentadas no compêndio de Teodoro da Motta. “Isto seria o bastante, se fosse rigorosamente progressivo, mas não o é; este defeito é sensível, e muito mais sensível entre nós, porque os nossos mestres de desenho são, em geral, incapazes de estabelecer, por iniciativa própria, a graduação necessária, dentro dos limites do compêndio” (1878: 133).
A importância de estabelecer uma progressão nas aprendizagens “do mais simples ao mais complexo” tornar-se-á uma das características inovadoras da escolaridade do final de oitocentos e que Vasconcelos antecipava através desta citação. É ainda esta perspectiva que levará o autor a apoiar o Compêndio de Desenho Linear Elementar (1881), de José Miguel Abreu. Ele prefaciou este manual que se destinava simultaneamente à instrução primária e ao 1o ano dos liceus. O manual procurou portanto articular os dois ciclos de ensino, o primário e o secundário, atravessadas por um mesmo método de ensino, o método stigmográfico." (https://core.ac.uk/download/pdf/12426831.pdf)
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